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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Vocês precisam me contar



Não vou pregar que uma pessoa quando visita um blog deva obrigatoriamente deixar um comentário. Nem eu mesma faço isso.Posto comentários naqueles que eu visito mais e que eu acho que tem alguma coisa interessante que valha a pena comentar ou, às vezes, passo rapidinho só para deixar um beijo em retribuição às visitas que eu recebo. 
Não vou negar que eu adoro receber comentários. É uma forma de interagir e aos poucos a gente vai conhecendo a pessoa - mesmo que virtualmente - vai se afeiçoando a ela, começa a perceber interesses e sentimentos comuns. É muito legal! Geralmente a gente faz a postagem e minutos depois já recebe um retorno, em forma de comentário.
Ontem aconteceu um fato que eu achei interessante. Fiz uma postagem sobre bipolaridade e logo no ínício eu falei sobre o preconceito em relação à doença. Não sei se foi coincidência ou não, mas quatro horas depois eu tinha recebido 64 visitas e apenas 3 comentaram. Achei estranho...
Não foi à toa que na primeira frase eu fui logo dizendo: -"Mas não precisam se assustar, não! Não sou louca, não mordo e nem faço mal a ninguém".  
Será que eu escrevi tão mal assim ou o assunto realmente assusta e afugenta?
Vocês precisam me contar!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Bom demais pra ser verdade...


Eles se conheceram num show de verão, numa pequena área verde de um hotel. Era um show beneficente e apesar de muitos turistas, a maioria do público era da própria cidade e se conheciam. Som percussivo, músicas da região - chula, samba de roda, samba reggae - a presença de grandes ídolos como Armandinho, arrasando na guitarra e Carlinhos Brown comandando a festa. Comida típica: maniçoba, xinxim de bofe, galinha de xinxim, feijão de corda, vatapá, caruru, acarajé e abará. Havia toda uma magia no ar. O que para os nativos era natural, para os que vieram de fora era a própria ilha da fantasia. 
Os turistas ficavam boquiabertos ao verem os artistas caminhando entre as pessoas. Caetano Veloso e sua família a um canto, apenas curtindo. Parecia mais uma festa familiar do que um show.
Janete estava com as amigas se esbaldando de tanto dançar quando percebeu que estava sendo observada. Um homem baixo, bonito, barba bem feita, se aproximou e depois de puxar conversa Janete o levou para conhecer Caetano, comer todas aquelas delícias e foi explicando os ingredientes. O homem ficou maravilhado. Combinaram de se encontrar dali a dois dias, numa festa de largo em comemoração ao dia da padroeira de uma cidade próxima. O homem lhe entregou o seu cartão e ficaram de se falar por telefone.
Janete colocou o cartão na bolsa e não deu muita importância.
No dia seguinte, já curada da ressaca Janete abre a bolsa, vê o cartão e se surpreende. Ficou claro que o cara não iria ligar nem se interessaria pela festa de largo. Era um político de outro estado e aqueles que o  acompanhavam não eram somente amigos, eram a sua comitiva.
Mas logo depois o telefone toca e combinam tudo. No dia seguinte Janete estaria esperando por eles na praça principal da cidadezinha com todos os abadás que ele pedira para reservar. Queriam participar do bloco puxado por trio elétrico famoso. Tudo correu como o combinado. Ao final desse dia, após passarem todo o tempo 'vivos' atrás do trio, entraram em seus vários carrões e foram embora prometendo voltar em breve.
Dois meses depois Janete recebe um telefonema avisando que o político estaria chegando para uma reunião de secretários de estados em um grande hotel de sua cidade, onde ele também ficaria hospedado. Combinaram que Janete iria encontrá-lo no hall do hotel à noite, quando ele estaria livre.
Insegura, chamou duas amigas para irem com ela e ficaram aguardando. Primeiro veio o assessor e em seguida o secretário. Foi logo convidando Janete para subir até seu quarto com a desculpa que esquecera lá umas fotos que queria que ela visse.
Janete ficou toda desconcertada e pediu licença para ir ao toilette com as amigas. Desabafou logo: estou com uma tremenda dor de barriga de nervoso, estou me sentindo como um animal sendo levado para o abatedouro. Acho até que borrei as calças. Que mico!
As amigas tentaram animá-la, sugerindo saírem dali, levá-los para conhecer outros lugares e tomarem uns drinks.
Rodaram pela cidade fazendo uma via sacra de bar em bar, tentando evitar o 'finalmente'. Janete quando os levou de volta ao hotel estava semi bêbada e enjoada. Ele convidou-a novamente para subir até seu quarto, mas ela não conseguiu. Desaguou ali mesmo no estacionamento o seu mal estar.
No carnaval do ano seguinte ele voltou, agora acompanhado do governador do seu estado (figura influente na política nacional), vários secretários, deputados e suas respectivas esposas e filhos. De todo o grupo, somente ele veio só. Compraram um camarote na melhor localização do circuito e Janete foi convidada. Dessa vez foi diferente, ele a estava cortejando, fazendo questão de apresentá-la a todos do seu grupo e só a chamava carinhosamente de 'moça bonita'. Janete agora estava segura, achando que ele realmente estava interessado nela. Ele a levantava pela cintura e a rodopiava em plena rua, foram atrás de vários trios, brincaram e se divertiram muito.
Na quarta feira de cinzas Janete foi buscá-lo no hotel para um programa a dois. Ela meio sem jeito, sem saber o que fazer, dirigia por toda a cidade de um lado para outro, esperando uma atitude dele, mas ele só ria da situação e falava sem parar.
Chegou um momento que Janete decidiu: é agora ou nunca. Entrou com o carro em um motel e o político pediu a melhor suíte. Era imensa, completa, com sauna seca e a vapor, ducha circular, hidromassagem e uma piscina de 6m por 3,5m.
Ele foi tomar uma ducha demorada, voltou como se estivesse em seu próprio quarto, abraçou-a, só 'comeu um tira-gosto' rapidamente e ligou a televisão. Estava passando um jogo do Santos, seu time de coração. Janete ainda ficou ao seu lado por algum tempo, mas ele só tinha olhos para a TV. Não lhe restou mais nada além de aproveitar a piscina. Ficou nadando até o jogo terminar. E ponto. Nada mais. Minto - ao deixarem a suíte eles comeram alguns bombons de uma cestinha que estava em cima do frigobar.
Desde o princípio Janete duvidara. Homem sozinho dando sopa durante tanto tempo é bom demais para ser verdade...
Nunca mais ela o viu.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Comemorando



Há exatos três meses eu abri meu blog e escrevi a minha primeira postagem. Comecei sem nenhuma pretensão, apenas tinha vontade de desabafar, limpar a mente e o coração. Grande parte dos meus sentimentos foram  colocados aqui, também reflexões, dúvidas e alguns fatos de minha vida.
Contei muitas histórias, todas sobre mulheres e suas vivências - a maioria não tão alegres. Falei muito de tristeza, mas o meu norte é a esperança.
Recentemente eu me mantive afastada por umas duas semanas. Precisava de um tempo para organizar algumas coisas em minha vida e colocar as ideias em ordem.
Estou voltando meio enferrujada, pois escrever é um exercício.
Mas volto muito feliz, porque em apenas nesses 3 meses eu conquistei 60 seguidores que me enviam seus comentários e gentilezas. Publiquei 100 postagens e já recebi 2000 visitas, número que eu não esperava tão cedo. São coincidentemente números redondos que eu quero comemorar com vocês.
Quero agradecer a todos que me seguem e que me incentivam com suas palavras. Algumas pessoas já se tornaram especiais, com a sua presença constante e seu carinho.
Muitos beijos a todos

Perdão



Eu sempre meto os pés pelas mãos, não tem jeito. Eu que só quero o seu bem, às vezes só te faço mal. Me descontrolo, o sangue sobe e falo coisas somente para machucar. Não faço isso de caso pensado. Quando eu percebo, já saiu e o estrago foi feito.
Eu fico muito arrependida, desabo, fico triste por vários dias e não entendo por que eu sou assim, por que eu faço isso.
Ouvir você dizer que estava completamente feliz me deixou fora de órbita. Ajo como se você ainda fosse meu, apesar de você nem pensar mais em mim. Estávamos tentando ser amigos, convivermos civilizadamente, mas eu misturo as coisas. Lido com a situação como se você estivesse longe, viajando e ainda fosse voltar para mim e tudo continuaria a ser como nos bons tempos.
Eu sei que você tem a sua nova vida, coisas para se preocupar,  e uma nova fase somente de alegrias e realizações. Mas no meu egoísmo eu quero acreditar que você não está bem e que ainda precisa de mim.
Você me disse que eu tentasse buscar a minha felicidade, mas ainda não consigo me desligar de você. Só fui dar importância e perceber o quanto eu te amava e precisava de você depois de sua partida.
De uns tempos para cá, parece que virou obsessão. Acordo pensando em você, passo o dia inteiro pensando em você, durmo e sonho com você no meu coração.
Parece coisa de quem não tem o que fazer - e eu não tenho mesmo -  eu busco me ocupar em outras coisas, mas não tem jeito. Lendo um livro, vendo um filme, arrumando a casa que um dia compartilhamos, tudo me lembra você.
Não fazer mais parte de sua vida, ver você convivendo com os mesmos amigos, mas sem a minha presença, me arrasa.  
Um dia, essa força que habita o meu peito vai enfraquecer e será apenas uma doce lembrança. Esse amor tão grande que eu sinto vai se acomodar e aí sim, talvez possamos ser apenas amigos.
Mas, por enquanto, eu ainda espero pacientemente que um dia - lá no futuro - você vai voltar e cantar para mim a música do Roberto Carlos. Então faremos amor como nunca e viveremos felizes para sempre, como num conto de fadas. E de papel passado.



Olha você tem todas as coisas
                                            Que um dia eu sonhei prá mim
A cabeça cheia de problemas
Não me importo, eu gosto mesmo assim
Tem os olhos cheios de esperança
De uma cor que mais ninguém possui
Me traz meu passado e as lembranças
Coisas que eu quis ser e não fui
Olha você vive tão distante
Muito além do que eu posso ter
E eu que sempre fui tão inconstante
Te juro, meu amor, agora é prá valer
Olha, vem comigo aonde eu for
Seja minha amante, meu amor
Vem seguir comigo o meu caminho
E viver a vida só de amor

sábado, 13 de agosto de 2011

Strawberry Fields Forever

                                           (foto baixada do site http://www.nycgovparks.org) 

Eu estava me preparando para ir pela primeira vez a Nova Iorque e perguntei ao meu filho o que ele queria que eu trouxesse de presente. Quero uma foto de Strawberry Fields, ele me pediu. Fã dos Beatles, como eu, e principalmente de John Lennon, não poderia deixar de fazer a sua vontade - achei que seria fácil.
Naquela época eu ainda não tinha internet e o acesso a informações era bem difícil. Precisávamos de livros, enciclopédias, jornais, revistas, tudo com pequena vida útil. Não cheguei a pesquisar nada, sabia apenas que se tratava de uma homenagem a Lennon e que ficava no Central Park.
Lá fui eu, com um grupo que iria para fazer compras. Quem viaja para fazer compras não se interessa muito por turismo e nem por cultura, o tempo é corrido e curto. Andávamos todos os dias rua por rua e íamos enchendo as malas.
À  noite, enquanto as andarilhas descansavam, eu ia a Broadway  e realizei alguns sonhos. Assisti ao Fantasma da Ópera, Cats, Smokey Joe's Cafe, A Bela e a Fera. Consegui fugir um dia à tarde e visitei o MoMA. Chorei ao ver à distância de um metro as obras de Van Gogh, meu preferido.
Somente na véspera de virmos embora, à noite, lembrei-me do presente do meu filho. Apesar da mala cheia de tênis, perfume, relógio, câmera, casacos, camisetas, tudo o que um adolescente escolheria, nela não havia o que  ele tinha me pedido.
O ônibus que nos levaria ao aeroporto JFK partiria do hotel na manhã seguinte às nove horas. Às seis  eu já estava num táxi e como ninguém quis ir comigo, fui aventurar-me sozinha para realizar minha promessa.
Com o meu inglês 'macarrônico' pedi ao motorista que me levasse ao Central Park, nas proximidades do edifício Dakota. Lembro-me que era um negão típico americano, imenso, parecia até um jogador da NBA. Muito sorridente, me perguntou de onde eu era e ao ouvir Brasil, começou a arranhar um espanhol pior do que o meu inglês, puxou conversa e  pediu licença para  ligar o rádio. Escolheu a música e aumentou o som. A todo volume, fomos ouvindo um reggae e ele se sacudindo todo, dançava feliz com a homenagem que prestava a uma brasileira. Nem tive  como solicitar informações sobre o meu destino. Desci em frente ao prédio, bati uma foto, atravessei a rua e entrei apressada no parque.
No meu raciocínio, a homenagem a Lennon deveria se localizar nas proximidades do edifício onde ele morava. E eu estava correta, pouco adiante eu vi a placa. Olhei para um lado e outro incrédula. Era outono, fazia muito frio e as árvores estavam meio secas e desfolhadas. A grama e a vegetação amareladas, sem vida.
- Não é possível que eu esteja aqui sozinha no Central Park, quase escuro ainda, a ponto de perder o avião, só para tirar uma foto dessa placa. Isso é que é o tal de 'Strawberry Fields'? Somente isso, uma placa comum? 
Pela grandeza do artista e pela minha paixão de fã, eu imaginava uma homenagem bem maior, um grande monumento, sei lá o que eu queria encontrar. 
Só então fiquei sabendo que uma área de 2,5 acres tinha recebido esse nome e que havia mais adiante, no chão, um mosaico preto e branco com o nome de 'Imagine".
Bati mais umas duas fotos e fui embora para o hotel, meio desapontada, porém com a sensação do dever cumprido.

                                           (foto baixada do site http://www.nycgovparks.org)              

Quando desembarquei no Brasil, meu filho me esperava no aeroporto e perguntou logo sobre a foto. Ficou ansioso por dois dias esperando a revelação. Ao contrário de mim, ele não se decepcionou com  'Strawberry Fields" porque eu já havia explicado a ele como era. A sua decepção foi comigo, péssima fotógrafa, que bati as fotos todas desfocadas... 
Tantos anos se passaram e há uma semana eu o chamei para mostrar novamente 'Strawberry Fields'. Ele veio sorrindo, já pensando o que seria dessa vez. Abri o notebook e mostrei este vídeo. Ele nunca o tinha visto e ficou encantado. Finalmente eu me redimi.

DUOFEL - Duo formado pelos violonistas Fernando Melo (alagoano) e Luiz Bueno (paulista), ensaiando no estúdio da Trama.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Mãos dadas



" Você nunca andou de mãos dadas comigo ..."  Essa foi a explicação que Tânia escutou. Foi tão simples e verdadeira que ela compreendeu tudo. Já não precisava questionar mais nada.

Tânia entendeu que por mais que se faça nunca é o bastante. Ao conhecê-lo e reconhecer nele um talento, começou a sonhar um sonho que era só dela. O desejo que ela tinha de que ele voasse alto fez com que ela agisse por ele e criasse expectativas em torno da carreira dele. Ela jogou para ele a responsabilidade de realizar o sonho dela - vê-lo brilhar. 
Só depois de ouvir aquela explicação que ela entendeu que não estiveram de mãos dadas. Tânia tinha atado as mãos dele para realizar um sonho dela. A liberdade passou a ser uma prisão.
Ele não era como Tânia. Ele preferia se resignar a tentar realizar os seus sonhos. Preferia viver imaginando o que poderia ser do que tentar sê-lo.
Quando ele 'travou' e as expectativas deixaram de se confirmar, começaram as cobranças. Tânia passou a controlar e esperar uma atitude para alcançar um resultado que não obteve. Ao sentir novamente suas asas presas, ele retomou o comportamento para o qual havia sido criado - a acomodação.
O relacionamento se deteriorou porque não havia mais compartilhamento, apenas compromissos.
Tânia errou ao deixar de se dedicar ao homem para apenas sonhar com o sucesso do músico, deixando de se comportar como sua  mulher para agir como sua empresária. Perdeu os dois.
O músico preferia se esconder atrás de um muro e viver obscurecido, para não se decepcionar.
O homem apenas queria passear de mãos dadas com sua amada...