Mostrando postagens com marcador sonho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sonho. Mostrar todas as postagens
domingo, 9 de outubro de 2011
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
O vizinho
Naquela época eram todos crianças. Brincavam soltos pela rua, mas não se afastavam das proximidades da casa. Eram nove, mas a energia das brincadeiras pareciam multiplicar esse número. Andavam em bando apesar da idade que variava dos cinco aos doze anos. Corriam, pulavam, jogavam bola, andavam de bicicleta, tudo o que a garotada gosta de fazer. Da porta, revesavam as três mães no controle. Algumas vezes uns gritos de alerta. Não é fácil tanger tanto menino.
Do outro lado da rua, um vizinho ainda bem moço a tudo assistia da sua janela. Seus olhos e seu sorriso acompanhavam cada movimento. Acompanhava e observava, a seu modo, as crianças crescerem. A sua participação se fazia apenas através de alguns acenos, cumprimentos e poucas palavras. Mas era intensa. Fazia parte daquele cotidiano.
Alguns anos depois, essas crianças e suas mães já não moravam mais naquela rua. Passaram um tempo sem verem o vizinho, até que houve um reencontro. Dessa vez, ele era o observado.
Em cima do palco, sua vida, suas lembranças e sentimentos eram expostos através da dança. O vizinho, sentado em um balanço ornamentado com flores e pendurado como uma janela, balançava-se de um lado para o outro e era assistido pela plateia atenta. A situação havia se invertido. Do alto do seu balanço, rente ao chão ou em sua cadeira movimentava-se lindamente. Não seria a sequela da pólio que iria contê-lo. Nasceu para voos altos, sem limitações.
Todas as crianças - agora adolescentes - estavam lá e suas mães também. Estáticos. A emoção de se sentirem parte daquele espetáculo de dança e de vida foi muito forte. Ao final, foi um misto de lágrimas e ovação.
Todas as crianças - agora adolescentes - estavam lá e suas mães também. Estáticos. A emoção de se sentirem parte daquele espetáculo de dança e de vida foi muito forte. Ao final, foi um misto de lágrimas e ovação.
Hoje ele colhe todos os frutos de seu trabalho árduo e também do seu talento como coreógrafo e dançarino. Leva os seus espetáculos para todos os cantos do país e exterior, com muita garra, devoção à arte e uma alegria sem fim. Sempre com um grande sorriso estampado no rosto, que amolece qualquer coração.
Limitadas são as pessoas que não querem andar e seguir o seu caminho - ele é uma lição de vida.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Perdão
Eu sempre meto os pés pelas mãos, não tem jeito. Eu que só quero o seu bem, às vezes só te faço mal. Me descontrolo, o sangue sobe e falo coisas somente para machucar. Não faço isso de caso pensado. Quando eu percebo, já saiu e o estrago foi feito.
Eu fico muito arrependida, desabo, fico triste por vários dias e não entendo por que eu sou assim, por que eu faço isso.
Ouvir você dizer que estava completamente feliz me deixou fora de órbita. Ajo como se você ainda fosse meu, apesar de você nem pensar mais em mim. Estávamos tentando ser amigos, convivermos civilizadamente, mas eu misturo as coisas. Lido com a situação como se você estivesse longe, viajando e ainda fosse voltar para mim e tudo continuaria a ser como nos bons tempos.
Eu sei que você tem a sua nova vida, coisas para se preocupar, e uma nova fase somente de alegrias e realizações. Mas no meu egoísmo eu quero acreditar que você não está bem e que ainda precisa de mim.
Você me disse que eu tentasse buscar a minha felicidade, mas ainda não consigo me desligar de você. Só fui dar importância e perceber o quanto eu te amava e precisava de você depois de sua partida.
De uns tempos para cá, parece que virou obsessão. Acordo pensando em você, passo o dia inteiro pensando em você, durmo e sonho com você no meu coração.
Parece coisa de quem não tem o que fazer - e eu não tenho mesmo - eu busco me ocupar em outras coisas, mas não tem jeito. Lendo um livro, vendo um filme, arrumando a casa que um dia compartilhamos, tudo me lembra você.
Não fazer mais parte de sua vida, ver você convivendo com os mesmos amigos, mas sem a minha presença, me arrasa.
Um dia, essa força que habita o meu peito vai enfraquecer e será apenas uma doce lembrança. Esse amor tão grande que eu sinto vai se acomodar e aí sim, talvez possamos ser apenas amigos.
Mas, por enquanto, eu ainda espero pacientemente que um dia - lá no futuro - você vai voltar e cantar para mim a música do Roberto Carlos. Então faremos amor como nunca e viveremos felizes para sempre, como num conto de fadas. E de papel passado.
Olha você tem todas as coisas
Que um dia eu sonhei prá mim
A cabeça cheia de problemas
Não me importo, eu gosto mesmo assim
Tem os olhos cheios de esperança
De uma cor que mais ninguém possui
Me traz meu passado e as lembranças
Coisas que eu quis ser e não fui
Olha você vive tão distante
Muito além do que eu posso ter
E eu que sempre fui tão inconstante
Te juro, meu amor, agora é prá valer
Olha, vem comigo aonde eu for
Seja minha amante, meu amor
Vem seguir comigo o meu caminho
E viver a vida só de amor
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Eu e você
Somos muito diferentes e tão iguais. Diferentes nas atitudes e iguais nos sentimentos.
Você gosta de sonhar, vive no mundo da ilusão, imaginando como poderia ter sido ou como será. Traça um planejamento, mas não o cumpre com receio da derrota. Sua jornada é abstrata.
Eu gosto do risco. Me jogo de cabeça em tudo que faço, me entrego inteira. Vivo com intensidade, não tenho medo de bater a cabeça na parede. Gosto do concreto.
Você fala por metáforas, foge do sim e do não, é sempre talvez. Eu sou cruel, a verdade deve ser dita, mesmo que machuque. Você é da paz e do depois. Eu sou de briga, aqui e agora.
Somos carentes, queremos amar e ser amados. Gostamos de colo, demonstrações de carinho, chamego e atenção total. Precisamos ser notados, admirados, elogiados. Vivíamos esperando um do outro, um querendo do outro, mas não nos doamos. Só esperamos.
Somos da lua, românticos. Temos o coração do tamanho do mundo, somos abnegados. Os outros vêm em primeiro lugar, nunca nós.
Esquecemos de nos olhar, eu para você e você para mim, com os olhos da alma. Erramos em esperar um do outro. Dois iguais querendo o mesmo e nunca nenhum de nós tomou a dianteira.
Você é uma pessoa linda, generosa, um ser de ternura. Eu sou atenta, ligada, prática e responsável. Com o passar do tempo, nós dois só levamos em conta e julgamos as atitudes e desprezamos os sentimentos. Faltou amor? Não, amor tinha de sobra, o coração estava repleto, mas não o demonstramos como eu precisava e você também.
Ficamos empacados, petrificados, parados no meio do caminho. E no meio desse caminho tinha duas pedras: eu e você. Não soubemos contorná-las. Preferimos removê-las e caímos num buraco.
Esquecemos de nos olhar, eu para você e você para mim, com os olhos da alma. Erramos em esperar um do outro. Dois iguais querendo o mesmo e nunca nenhum de nós tomou a dianteira.
Você é uma pessoa linda, generosa, um ser de ternura. Eu sou atenta, ligada, prática e responsável. Com o passar do tempo, nós dois só levamos em conta e julgamos as atitudes e desprezamos os sentimentos. Faltou amor? Não, amor tinha de sobra, o coração estava repleto, mas não o demonstramos como eu precisava e você também.
Ficamos empacados, petrificados, parados no meio do caminho. E no meio desse caminho tinha duas pedras: eu e você. Não soubemos contorná-las. Preferimos removê-las e caímos num buraco.
Foi o fim.
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Mãos dadas
" Você nunca andou de mãos dadas comigo ..." Essa foi a explicação que Tânia escutou. Foi tão simples e verdadeira que ela compreendeu tudo. Já não precisava questionar mais nada.
Tânia entendeu que por mais que se faça nunca é o bastante. Ao conhecê-lo e reconhecer nele um talento, começou a sonhar um sonho que era só dela. O desejo que ela tinha de que ele voasse alto fez com que ela agisse por ele e criasse expectativas em torno da carreira dele. Ela jogou para ele a responsabilidade de realizar o sonho dela - vê-lo brilhar.
Só depois de ouvir aquela explicação que ela entendeu que não estiveram de mãos dadas. Tânia tinha atado as mãos dele para realizar um sonho dela. A liberdade passou a ser uma prisão.
Ele não era como Tânia. Ele preferia se resignar a tentar realizar os seus sonhos. Preferia viver imaginando o que poderia ser do que tentar sê-lo.
Quando ele 'travou' e as expectativas deixaram de se confirmar, começaram as cobranças. Tânia passou a controlar e esperar uma atitude para alcançar um resultado que não obteve. Ao sentir novamente suas asas presas, ele retomou o comportamento para o qual havia sido criado - a acomodação.
O relacionamento se deteriorou porque não havia mais compartilhamento, apenas compromissos.
Tânia errou ao deixar de se dedicar ao homem para apenas sonhar com o sucesso do músico, deixando de se comportar como sua mulher para agir como sua empresária. Perdeu os dois.
O músico preferia se esconder atrás de um muro e viver obscurecido, para não se decepcionar.
O homem apenas queria passear de mãos dadas com sua amada...
Assinar:
Postagens (Atom)




