quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O vizinho



Naquela época eram todos crianças. Brincavam soltos pela rua, mas não se afastavam das proximidades da casa. Eram nove, mas a energia das brincadeiras pareciam multiplicar esse número. Andavam em bando apesar da idade que variava dos cinco aos doze anos. Corriam, pulavam, jogavam bola, andavam de bicicleta, tudo o que a garotada gosta de fazer. Da porta, revesavam as três mães no controle. Algumas vezes uns gritos de alerta. Não é fácil tanger tanto menino.
Do outro lado da rua, um vizinho ainda bem moço a tudo assistia da sua janela. Seus olhos e seu sorriso acompanhavam cada movimento. Acompanhava e observava, a seu modo, as crianças crescerem. A sua participação se fazia apenas através de alguns acenos, cumprimentos e poucas palavras. Mas era intensa. Fazia parte daquele cotidiano.
Alguns anos depois, essas crianças e suas mães já não moravam mais naquela rua. Passaram um tempo sem verem o vizinho, até que houve um reencontro. Dessa vez, ele era o observado. 
Em cima do palco, sua vida, suas lembranças e sentimentos eram expostos através da dança. O vizinho, sentado em um balanço ornamentado com flores e pendurado como uma janela, balançava-se de um lado para o outro e era assistido pela plateia atenta. A situação havia se invertido. Do alto do seu balanço, rente ao chão  ou em sua cadeira movimentava-se lindamente. Não seria a sequela da pólio que iria contê-lo. Nasceu para voos altos, sem limitações.
Todas as crianças - agora adolescentes - estavam lá e  suas mães também. Estáticos. A emoção de se sentirem parte daquele espetáculo de dança e de vida foi muito forte. Ao final, foi um misto de lágrimas e ovação.
Hoje ele colhe todos os frutos de seu trabalho árduo e também do seu talento como coreógrafo e dançarino. Leva os seus espetáculos para todos os cantos do país e exterior,  com muita garra, devoção à arte e uma alegria sem fim. Sempre com um grande sorriso estampado no rosto, que amolece qualquer coração.
Limitadas são as pessoas que não querem andar e seguir o seu caminho - ele é uma lição de vida.

19 comentários:

Célia disse...

São essas lições de vida que nos mostram a nossa incapacidade de sentir o outro, de estar em seu lugar, de entender que obstáculos são desafios para nosso crescimento! Abraços, Célia.

CEM PALAVRAS disse...

Célia,
obriga por estar sempre presente, aqui comigo.
muitos beijos

Artes e escritas disse...

A vida passa E La Nave Va...Um abraço, Yayá.

KINHA disse...

Olá

Eu sou Kinha e vim conhecer seu espaco. Gostei e já estou te seguindo. Vou aguardar a sua visita e ficarei feliz se me seguir também.

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CEM PALAVRAS disse...

Beijos, Yayá e Kinha!

Severa Cabral(escritora) disse...

Bom alvorecer!
Muito bom seu texto...nos mostra que temos muito que aprender nessa vida...
bjsssssssssss

Christian V. Louis disse...

Interessante como os papéis se inverteram. De observador praticamente "invisível", com o tempo ele se tornou a atração principal daquelas pessoas.
Gostei muito do seu texto.

CEM PALAVRAS disse...

Severa,
obrigada por sempre passar por aqui.
sempre te visito, mesmo que eu não deixe comentários
muitos beijos

CEM PALAVRAS disse...

Bem vindo, Christian!
Adorei te conhecer. Já estou te seguindo.
beijos

Christian V. Louis disse...

Eu digo o mesmo. Já tem um tempo que venho observando seus comentários no blogue da Yayá e hoje tive que vir até aqui para te conhecer.
Meu método de blogar não é o mesmo que o seu, eu não respondo na própria caixa no blogue (somente no outro blogue literário, mas não nos Escritos) e espero que não se importe comigo, pois tenho alguns seguidores que seguem este método e eu sempre volto para ler as respostas e as vezes acaba um bate papo, uma troca de ideias sem fim. ahah.
Pode pegar o desafio que quiser para o seu blogue, tem alguns lá bem interessantes, apenas avise-me quando o fizer porque adoro saber mais das pessoas enigmáticas que vivem neste universo chamado blogosfera.
É isto. Seja muito bem vinda.

Joakim Antonio disse...

Os limites estão em nossa mentes apenas, é incrível o que as pessoas fazem quando não possuem essa palavra em seu vocabulário.

Talvez consigamos riscá-la do nosso!

Beijo e ótima noite e vida!

Edu O. disse...

e o sorriso desse menino continua estampado em seu rosto lendo essa homenagem linda. Esse carinho que sabemos de onde vem, de quando vem e o quanto dura e permanecerá. Esse espetáculo da janela é inesquecível. obrigado, minha amiga. e o sorriso dormirá estampando esse rosto aqui.

CEM PALAVRAS disse...

Christian,
Eu respondo sempre nessa mesma caixa, retribuindo a atenção recebida, mas não deixo de prestigiar visitando os blogs e deixando comentários. E assim, vamos trocando ideias, fazendo amigos, refletindo sobre o que lemos e crescendo com essas experiências.
Espero que esse seja apenas o começo.
muitos beijos

CEM PALAVRAS disse...

Joakim,
Obrigada sempre por vir aqui.
beijos

CEM PALAVRAS disse...

Edu O.
É muito difícil escrever sobre emoções sem ser piegas. Tive que ativar a censura para me conter. Tentei me manter distante para não errar na dose. Se fosse escrever tudo o que o meu coração dizia, seria uma novela mexicana. Por isso ficou aquém do merecido.
Há muito queria contar essa história...
Beijos, meu amigo

Edu O. disse...

Tão bom receber carinho! obrigado, obrigado, obrigado

Magia da Inês disse...

✿•˚。
。°° 。✿✿
Olá, amiga!
Sua postagem me fez lembrar de um parquinho que tinha perto de minha casa...
Queria balançar bem alto até dá uma volta no suporte... mas estatelava no chão inúmeras vezes e nem sei porque eu não me machucava sério...
Bom fim de semana!
Beijinhos.
Brasil
✿•˚。
° 。✿ °° 。
●✿
..(░)(░)
(░)(♥)(░)
..(░)(░)

Juju Porcino Loureiro disse...

Olá amiga!
" Nasceu para voos altos, sem limitações."
Parabéns p/postagem. LINDA!!!
Não é preciso dizer mais nada!
Beijos e bom final de semana.

CEM PALAVRAS disse...

Juju e Inês,
obrigada pelo carinho
muitos beijos